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Minha vontade de curtir um cinema de última hora, logo me fez estar em uma sala cheia de mulheres e adolescentes, todas suspirando, para ver a perfeita nudez do Sr. Grey.

Como não havia lido o último livro da famosa trilogia e nem assistido ao segundo filme, não sabia bem o que esperar.

O filme se denomina como um romance, mas eu, internamente, o denominei também como ficção científica.

Do início ao fim, tive a sensação de estar assistindo já ao final de um filme, pois quase tudo é perfeito. E cada vez que o Sr. Grey aparecia nu, era possível ouvir os suspiros vindo de todos os cantos da sala, como se a capacidade pensante das telespectadoras deixasse de existir com a beleza exposta do rapaz.

Diferente da maioria dos filmes, este começa com o casamento, seguido de uma lua de mel, que passa por vários países, hotéis e restaurantes de luxo, tudo em perfeitas paisagens.

Sr. Grey parece que deixou de ser sadomasoquista, se é que algum dia o foi de verdade. O jovem, supostamente frio e que nunca havia tido relacionamentos, tornou-se o homem perfeito: lindo, inteligente, bem-sucedido, romântico, presente e sobretudo alguém que pensa em absolutamente todos os detalhes. E por mais que tenha um império para cuidar, sempre tem tempo para mandar mensagens para sua linda esposa Anastasia, buscá-la no trabalho e manter uma vida sexual muito ativa.

A descrição acima parece de novela ou de filme, quando se fala daquele período romântico em que duas pessoas se apaixonam. Difícil é imaginar um casal que consiga manter todas essas qualidades ao mesmo tempo e o tempo todo. Isso simplesmente não existe.

Já que se trata de um filme, acho interessante e até mesmo divertido, imaginar a fantasia de quem escreveu e as reações daquelas que o assistem. Quem já teve um ou mais relacionamentos, sabe bem que a paixão é passageira. O relacionamento baseado em sexo, depois de um tempo, se torna monótono. Se não houver outras bases, como amizade, admiração, afinidades ou paixões em comum, tudo esfria até que se esvaia.

Relacionamento bom mesmo tem um “que” de alma, uma afinidade no olhar que desperta o bem-estar acima de tudo, uma sensação de acolhimento, que se deseja estar ali, com aquela pessoa, com ou sem o sexo.

Sexo é muito bom e saudável, mas suponho que as jovens meninas que assistem ao Sr. Grey, podem acabar criando uma fantasia tão irreal sobre seus futuros relacionamentos, como nós, mulheres mais maduras podemos ter criado, pensando em histórias como a Cinderela e a Bela adormecida.

Mulheres queridas: homens erram, tem flatulência, se cansam, tem seus dias de mau humor, vão nos trocar, vez ou outra, por coisas que não gostamos, como futebol e formula um. E nada de mal há nisso. Também devemos sair com as amigas e alimentar a própria individualidade.

Há de se amadurecer e crescer muito, para se entender que o Sr. Grey é lindo sim, mas ele não existe. Relacionamentos perfeitos não existem. O que ocorre, na melhor das hipóteses, é o encontro de duas pessoas com uma boa dose de maturidade e autoconhecimento, e que conseguem trabalhar juntas uma relação baseada em princípios sólidos.

O filme é até bonitinho. E dependendo da maturidade de quem assiste, bem divertido, haja visto esta que lhe escreve. No mais, não passa de um conto de fadas erótico e moderno, com base na mais pura sexualidade e fantasia.

Suspire, mas por favor, continue pensando!

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