Home Todos Amizade A família de Colombo

O conceito de família parece ser algo unânime: todo mundo tem e ama a sua acima de qualquer outra.

Eu, na época em que me dei conta, de que era gente, não achei a minha família o melhor exemplo de comercial de margarina. Houve a época em que me revoltei, e confesso que não foi por pouco tempo.

Quando tive a oportunidade de conhecer bem outra família, a de meu ex marido, percebi que as famílias podiam mesmo ser diferentes. Aquela parecia ser mais amável, mais calma e equilibrada. Nada que tenha passado despercebido e sem reflexões nos anos em que estive por lá.

Hoje, acredito que a gente nasce mesmo é no lugar que tem que nascer. Sou rude como meu pai, reclamo mesmo, e trabalho este defeito todos os dias. Mas adoro quando encontro alguém tão indignado quanto eu, para reclamarmos da mesma coisa…

Os anos passaram, e tudo aquilo que me incomodava na época da juventude hoje é motivo de piada. A braveza paterna, a insistência de minha mãe em explicar sempre as mesmas coisas, a rudeza do avô em meu filho e por aí vai. Tudo aquilo que via em minha família, é o mesmo que vejo agora, quando me olho no espelho ou nos olhos de meu filho. Há de se viver para entender e adquirir tal belo conhecimento.

Faz poucos anos, tive o privilégio de conhecer outra família. Mais uma, que aos meus olhos me pareceu mais amável e cheia de harmonia.

Não a considero melhor, não é isso. Reconheço suas qualidades extraordinárias, sem diminuir a qualidade da minha, a que pertenço e me fez.

A família de Colombo tem origem polonesa. Tive o privilégio de “chegar” ali através de uma ainda menina, que se tornou minha fã. Conversando com ela, me tornei amiga de sua mãe, que trabalhava comigo no mesmo lugar. Com saudade dos meus, distante, me confortava a alma estar ali, na casa cheia de mulheres e que pareciam cozinhar o dia inteiro.

A matriarca, por certo, é o centro da família. Numa casa com um homem e cinco mulheres, além dos agregados em volta, quem recebe as maiores atenções e privilégios são os seis gatos da casa e os que rodeiam a mesma durante o dia, se aproveitando de um amor desmedido, que recebem.

Passando uns dias ali, pude perceber que a alegria não se faz apenas em dia de visita e em volta de uma mesa farta. A felicidade começa de manhã cedo, com o avô que levanta para levar a neta até a van, em frente da casa, após preparar o seu café. E continua durante o dia, no alimentar e conversar com os gatos constantemente, entre o plantar e o cozinhar. Felicidade ao dividir o pão com as visitas que sempre, sempre chegam. Os sorrisos fartos e as tantas histórias para contar, quase sempre de gatos, dor ou de fé.

A generosidade ali chegou e ficou. No cuidado de uma ferida cinquentenária da matriarca por uma das filhas. O banho com ajuda, ou o plantio para o outro que já não pode se abaixar.

Para mim, não faltaram sorrisos, deliciosos pratos, histórias, companhia, bênçãos desejadas e proferidas naquela honestidade nítida e inocente do interior, daquela gente simples, que nunca saiu de onde nasceu. Daquela gente humilde, que parece não saber o que é maldade de verdade.

A grande família de Colombo me cativou a alma, um lugar para jamais se esquecer. Entre uma conversa e outra, a frase que não parou de ecoar em minha cabeça, a cada vez que se falava algo bonito, que dava pena, ou que, principalmente, se falava de um gato: _”Ah, mãezinha…”.

Cada um tem a família que precisa para sua própria evolução, e que cada um agradeça a sua, por tê-la. Eu, além da minha, agradeço o privilégio de ter conhecido esta. Saudades, vai deixar. Mas lá sempre vai estar…

Ah, mãezinha…

 

 

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