Home Todos Comportamento Olhando para dentro de mim mesma

Em meio a uma fase mais adulta da vida, me pego refletindo sobre a minha própria responsabilidade por tudo o que hoje vivencio. Penso sobre tudo o que fiz em meu passado e ainda faço no presente para justificar aquilo que incomoda. Sou responsável pelo meio em que vivo? Pelas pessoas à minha volta? Pelo trabalho que exerço? Por aqueles que me tratam mal ou falam pelas minhas costas? Sou responsável pelas pessoas que atraio para mim? Até mesmo uma fechada de trânsito pela manhã?

Me recordo de que todos temos pontos cegos de personalidade, aquilo que todos enxergam nitidamente em nós, como um traço marcante, exceto nós mesmos. Como um adulto que vive se exibindo, devido à sua própria cega insegurança ou como alguém arrogante que passa por inseguro e inferior diante de todos, enquanto se sente superior e é incapaz de enxergar a própria realidade. Muitas são as formas de não nos percebermos. E só a autorreflexão pode melhorar tal cegueira de si mesmo.

Já me reinventei tantas vezes, que considero até mesmo cansativo olhar para trás e perceber o quantas vezes fui cega em relação a mim mesma e as atitudes que tinha. Com o passar dos anos e as tantas lições da vida, entendo que meu nível de consciência tem se elevado a cada dia, tornando a quantidade e gravidade dos erros menores, as certezas mais sólidas, e a culpa algo que se equilibra entre o auto perdão e a vontade de permanecer.

Não é fácil amadurecer. Há quem diga e acredite que a aquisição de nível mais elevado de consciência, traga também um nível maior de felicidade. Eu vejo isto de outra maneira. Se tornar consciente nos deixa mais distantes de tudo o que antes tinha graça: uma festa regada a bebidas e rápida diversão, uma balada ou uma paixão de fim de semana. Conforme a superficialidade perde a graça, o mesmo acontece com as pessoas. De repente, nos damos conta de suas faltas de profundidade. E nos vemos sozinhos. Se tornar consciente faz parte de um caminho bem mais solitário. E claramente sem volta.

A felicidade é a maturidade de conseguir encontrar a satisfação em si mesmo e nas pequenas coisas, ainda que em um mundo caótico, invertido em valores e com uma multidão de inconscientes, necessitando de ajuda e compaixão.

Olho para dentro de mim mesma, buscando entender as linhas tênues que dividem o momento de resiliência e aceitação e a necessidade de mudar uma situação. Assim como a frágil diferença entre perdoar e o não ser feito de bobo. A arte de ajudar e não ser abusado por aqueles que insistem em tirar vantagem.

Não tem sido fácil viver neste mundo. Numa era de tantas mensagens de otimismo e positividade, ainda sinto falta da ética e generosidade na prática. Sobre mim mesma, também luto a cada dia para não me indignar com aquilo que incomoda, e nem reclamar, torcendo não ser negligente com o que é errado.

Olho para dentro de mim mesma, na tentativa de acertar mais do que no passado, não me tornando uma pessoa rabugenta, como boa parte que se torna mais madura. E menos ainda uma velha adolescente, que se negou a crescer e ainda acha o máximo as diversões instantâneas e passageiras.

Continuo olhando para dentro de mim mesma, e percebo que este olhar se tornou um exercício diário de autoconhecimento e evolução. Não é fácil crescer, não é fácil achar as respostas. Mas são ali mesmo, dentro de toda a minha história, sentimentos e sensações que as certezas irão chegar. Mesmo que toda a explicação se faça tempo depois.

Assim é a vida, entre um erro e outro, um acerto e mais um desacerto.

E para toda dúvida, mais um olhar para dentro de mim mesma.

Lá estão todas as respostas!

 

2 comentários to this post
  1. Nossa, descobri sua página através de uma amiga e estou achando seus textos sensacionais! Estou me identificando muito mesmo com boa parte do que está escrito. Abraço.

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