Home Todos Comportamento Quem se levantaria por você?

Num momento de baixa autoestima, pode ser que nada, nem ninguém seja capaz de nos fazer sentir vontade de levantar da cama. É grande a dor de uma alma que se sente pequena.

Recentemente me senti assim. E por mais que situações externas a mim também fossem responsáveis pelos sentimentos ruins, eu me sentia fraca, com remorsos e sem esperança. Ao pensar em minha vida e no que havia vivido nos últimos tempos, não conseguia entender o sentido das coisas. E a culpa por supostos erros me pesava nos ombros.

Em busca por bons pensamentos, um deles acabou sendo luz. O início deste pensar era sobre alguém com quem eu me abriria. Pensei em tudo que diria e o quanto esta pessoa se colocaria disposta a me ouvir. Eu percebi que no fim, este alguém se levantaria por mim, se colocaria ao meu lado ou atrás de mim, e permaneceria ali, me dando força, para me manter de pé.

Meu pensar continuou. Refleti sobre quem mais se levantaria por mim. Apesar de ter sido algo simples, percebi que este caminho se tornou fonte de força. Em alguns minutos, eu tinha lágrimas escorrendo pelo meu rosto, pela quantidade de pessoas que eu sentia atrás de mim. Todos de pé, por mim.

Apesar da dor que estava vivendo naqueles dias, pelos que se posicionavam contra a minha pessoa e também pelos que deixaram de ser os que um dia teriam se levantado, percebi que durante toda a minha vida, eu havia organizado um exército. Pessoas capazes de me aceitar, exatamente como eu sou. Aqueles que conhecem o meu passado, o meu presente, minhas fraquezas e defeitos, com toda transparência que me cabe, e mesmo assim gostam da pessoa que eu fui e da que hoje me tornei.

Me senti tão grata, que em silêncio agradeci a cada um deles. Foi uma tarde de domingo, que antes vazia, se tornou forte e me sustentou por vários dias seguintes, como ainda me sustenta.

Dias depois, ouvi uma psicóloga fazendo um interessante relato sobre pacientes que chegam em seu consultório. Segundo ela, os pacientes que chegam se sentindo pequenos e sem auto estima, é porque já sofreram tanto, e principalmente com ataques de pessoas e situações de pressão da vida, que ela tem que trabalhar em função de mostrar novamente ao paciente o seu verdadeiro tamanho. Enquanto outros que chegam, se dizendo bem resolvidos, são geralmente os pequenos, que possuem dores inconscientes e escondidas, os quais ela precisa diminuir o ego, encontrar a ferida e a verdadeira causa para as máscaras utilizadas.

E eu percebi que já havia sido os dois tipos de pacientes. Cerca de alguns anos atrás, eu me definia como uma pessoa bem resolvida. Até levar bons tapas da vida e perceber os diversos nós que ainda tinha por desatar, me destruindo e reconstruindo várias vezes seguida. Após os anos de reforma e de toda a sua brutalidade, somado à vida repleta de percalços externos, então eu me sentia tão insignificante quanto um grão de areia.

Enfim entendi, que nos tornamos grandes quando pequenos. E vice-versa. A maturidade nos torna humildes, enquanto o ego nos cega com a soberba. E depois da aquisição de plena visão, suportar os cegos não se torna tarefa fácil, nos diminui. Há de se perceber, se os percalços são internos ou externos, e se há consciência ou inconsciência sobre os mesmos. Este saber nos define, se somos verdadeiramente grandes ou pequenos.

A grata compreensão de meu tamanho foi tão grande quanto a força que recebi do meu exército, dos que sim, se levantariam por mim.

Para alcançar a sabedoria da vida é preciso refletir profundamente sobre tudo o que se sente, se olhando por dentro.

Os que se levantaram por mim, nem estavam ali de verdade. E mesmo assim se levantaram.

E transformaram todo aquele momento.

 

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