Home Todos Cinema Afinal, quem é James McSill? A história de um Retiro Literário!

 

 

“Quem é James McSill? ”, eu me perguntava, ao mesmo tempo, em que tentava encontrar algo negativo a seu respeito na Internet. Não que quisesse encontrar, mas me sentia tão ferida por dentro com os últimos anos da minha vida, que temia uma decepção sobre algo tão importante para mim.

Numa busca, antes quase concretizada, por um agente literário, minha nova tentativa havia sido enviar meu portfólio e livros inéditos para os considerados melhores agentes e agências literárias, no Brasil e no exterior. Dos cinco contatos nacionais, um eu já conhecia e dos quatro restantes, apenas um me respondeu, esclarecendo que não estavam agenciando no momento. Dos cinco internacionais, recebi resposta quase que imediata, educada e muito atenciosa, me informando sobre as diferentes possibilidades de trabalhar com o Sr. James McSill.

E lá estava eu, tentando entender não apenas cada possibilidade, mas principalmente, de quem se tratava aquela pessoa, que a Internet mencionava somente fatos extremamente positivos. Descrições como essa se seguiam:

“James é uma das grandes autoridades em Storytelling e um dos consultores de história (Story Consultant) mais bem-sucedidos e experientes do mundo, reconhecido pelo vasto trabalho na América Latina, América do Norte e Europa, estendendo-se à Ásia e, recentemente, à África. James, anglo-brasileiro, trilíngue e linguista por formação, tem mais de trinta e cinco anos de experiência na arte de conduzir indivíduos e organizações a produzirem “histórias úteis, com propósitos específicos”, sensibilizando líderes e empresas quanto aos benefícios do Storytelling como instrumento de trabalho e transformação. Fundador e diretor-executivo do McSill Story Studio (Reino Unido e Portugal) e mentor da McSill Agency (Brasil, Reino Unido, Portugal, Japão e EUA), James é também autor de mais de duas dezenas de livros, conferencista em reconhecidas convenções de RH e acadêmicas em todos os continentes, um dos poucos consultores de história a ganhar o prestígio de celebridade, devido ao seu extenso conhecimento do assunto, não só na área empresarial e editorial, mas como uma presença cada vez mais marcante na indústria do entretenimento (cinema, TV e teatro, bem como parques temáticos). O crescimento dos empreendimentos e projetos ligados ao McSill Story Studio, atualmente espalhados por diversos países, atesta para uma empresa de histórias que soube «contar a sua história» de forma simples, constante e eficiente. Hoje, por meio dos seus treinamentos, seminários, workshops e palestras, bem como consultorias em todos os aspectos do Storytelling, James atinge uma audiência direta de mais de vinte mil pessoas ao ano. ”

 “Hummmm”, por algum motivo (ou vários), eu me sentia insegura, com medo. O desejo de seguir com a carreira de escritora era ao mesmo tempo o meu ponto mais forte e o tendão de Aquiles. A vontade de seguir em frente prevaleceu.

Tempo depois, quando cheguei ao Retiro Literário, com o então famoso James McSill, estava ansiosa, tentando ignorar todas as minhas expectativas, me sentindo absolutamente feliz. Fui a última a entrar na sala. A primeira vez em que vi o James foi assim: ele estava em pé, com uma daquelas bermudas floridas de Baile do Havaí, camiseta preta, sandália e meia (e eu que pensava que só os alemães eram adeptos da dupla), caneta na mão, sorriso aberto, voz e energia contagiantes.

 

 

Dos dez escritores, apenas eu e uma colega éramos novatas. “Se a maioria já estava com ele há tempo, ele deve ser mesmo tudo o que dizem, não? ”. O ambiente era exatamente o que pensava. “Que tipo de pessoas reservam tempo e dinheiro para cinco dias imersos em trabalho literário? Pessoas como eu! Eu estava em casa! ”. Um terapeuta da alma, duas profissionais de coaching, duas professoras, engenheiros, dentre outros. Todos escritores, de alguma maneira. Princípios e valores da alma, diferente do quase que padronizado “ter” e “parecer” aos olhos alheios.

Entre palestras e atendimentos individuais, a minha primeira vez foi um choque. James olha de forma muito rápida e assustadora alguns de meus trabalhos, como se selecionasse em questão de segundos o que era bom ou ruim. No meu romance preferido ele questiona:  “Quem é que está narrando aqui? ”. “Como assim? ”. “Quem está falando? ”. E eu ainda não compreendia a sua pergunta. “O narrador não pode ser onisciente”. Eu não conseguia nem mais responder direito às suas indagações. A informação daquele momento me obrigava a minha primeira desconstrução durante aqueles dias.

“Quem era eu? Uma farsa? Uma amadora de quinta? ”. Não processei mais nada naquele primeiro dia. Porém, a cada conversa, as informações iam fazendo mais sentido, bem como eu ia descobrindo quem era Mister McSill.

Se por um lado eu escrevia tão somente com as minhas emoções e técnica nenhuma, a minha confiança também se baseava no que sentia. Por mais que a Internet exibisse e comprovasse o James como um profissional altamente reconhecido, com várias fotos com celebridades, eventos importantes e muito mais, eram a sua voz e energia que me conquistavam.

 

 

James é muito mais do que a Internet é capaz de dizer. Com toda a sua trajetória profissional, que inclui um longo trabalho em uma das maiores editoras do planeta, seus livros publicados, por ele e pelos seus inúmeros autores, sendo muitos de sucesso, ainda há o seu trabalho no que diz respeito aos roteiros de novela, TV, séries e teatro. Parece que nada lhe escapa no que diz respeito a arte de contar histórias.

Com tudo isso, a humildade de James se sobressai sobre o resto (e que resto). “Eu não posso me encantar com nenhum trabalho. Se eu me encantar, não há mais nada que eu possa fazer”. “O seu trabalho é mais importante do que o meu, Carolina. O que eu faço, em poucas décadas, estará sendo feito por computadores, mas o que você faz, com emoção, será o trabalho mais necessário daqui um tempo”. “Oi? ”. “Como pode alguém ser tão simples em relação ao próprio sucesso e reconhecimento? ”. Não que ele não soubesse, mas não usava nada disso para alimentar seu ego. “Em que mundo eu estava? ”. Não sabia, mas começava a ter certeza de onde queria estar, a partir daquele momento.

De tantas e tantas histórias (e o tom de voz de Sir James parece que soa naturalmente, como se sempre contasse uma história) eu só consegui perceber características positivas sobre aquela pessoa livre e iluminada.

Não bastasse o sucesso profissional e a sua personalidade apaixonante, James também tinha uma história única de como tornou-se o avô do Tomás. Respeitando sua privacidade, não me atrevo a descrever as nossas conversas, os seus segredos sobre relacionamentos, família e criação de filhos. Só digo que além de tudo, o ser humano por trás do profissional era ainda melhor do que todas as pesquisas que havia feito na rede e o que constatava no retiro.

Tive o privilégio de abraçar o James algumas vezes e confesso que desejei ter abraçado mais. Ele é aquele tipo raro de pessoa, que a gente tem vontade de “grudar” e levar para casa. E aí finalmente encontrei seus defeitos: James mora longe e eu teria que dividi-lo com mais milhares de pessoas, que também viam e sentiam nele tudo o que estava sentindo.

Certamente não me contentei apenas com o Retiro. Depois dos cinco dias de imersão, conversas, aprendizados, James continua me atendendo do outro lado do mundo, cada vez que eu me atrevo precisar dele. E ele sempre conta mais histórias, entre um assunto e outro.

Dentre os livros que escreveu, li após o Retiro, o romance “Interlúdio”, que me fez constatar o seu talento absurdo como autor. Segundo ele, escreveu a história arrebatadora utilizando-se apenas de técnicas. “Meu Deus, quem sou eu? ”. Entrei num caminho sem volta. Descobertas!

 

 

Entre uma desconstrução e outra, fico com o privilégio de ter conhecido uma pessoa capaz de tamanho e intenso processo feito com amor. Se a vida, até então, havia me ensinado que as desconstruções se faziam pela dor, agora era hora de uma trégua.

O Retiro Literário, afinal, não se tratava apenas de literatura. E nem o James apenas de um superstar do Storytelling.

O cara era foda! Em todos os sentidos!

 

 

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