Home Todos Comportamento As possíveis relações que temos com o dinheiro

Quando eu tinha dezesseis anos, fiquei aborrecida, infantilmente , com o resultado de um teste de personalidade, que havia feito com uma profissional de psicologia. Absolutamente jovem e imatura, não tinha percepção sobre mim mesma e da verdade de tudo que lera na época. Veracidade constatada anos depois.

A percepção que temos sobre nós mesmos, felizmente, muda com o passar dos anos.

Em outra ocasião, bem mais tarde, um outro tipo de profissional me afirmou que eu tinha medo de ficar pobre e que tinha uma relação negativa com o dinheiro, bem como me faltava fé. Na época eu estava muito longe de enxergar o que aquela pessoa me dizia. Mas anos depois, também pude constatar a veracidade em suas palavras.

Quando somos jovens, imaturos e também inconscientes, acabamos tendo uma percepção inferior a nós mesmos, do que outras pessoas podem vir a ter. E mesmo que nos esfreguem uma verdade na cara, não se tem maturidade para compreender a informação.

Foi preciso muito tempo e elevação de consciência, para perceber o quanto a minha relação com o dinheiro era mesmo negativa. E o quanto isso estava conectado a minha própria fé. A relação que eu mantinha com as coisas materiais também estava ligada à relação que a minha família havia tido.

Por anos eu vivi como meus pais viviam. E sem me dar conta. Eu raramente comprava coisas para minha casa. Achava que se havia comprado algo uma vez, este deveria bastar, fosse o que fosse.

Durante alguns anos, desejei comprar um carro novo, mas como nunca havia feito, mesmo podendo fazer a compra, sentia medo, embora não percebesse, o quanto aquele medo era a única coisa que estava me impedindo de trocar o carro que tanto queria e precisava.

Foi preciso muito tempo, reflexão e compreensão sobre mim mesma, para mudar várias pequenas coisas, e que no fim, fizeram diferença em minha vida. Eu olhei para todos os hábitos da minha família, como havia sido tantos anos e como eu havia perpetuado grande parte daquilo. Então eu resolvi quebrar um padrão. E não foi de uma hora para outra. Ainda está acontecendo, sendo trabalhado internamente.

Eu percebi, dentre tantas coisas, que raramente eu sentia vontade de comprar algo, por não ter um perfil consumista. Mas quando isto acontecia, eu me continha absolutamente, se achasse o preço alto. Ou seja, na maior parte do tempo, não tinha vontade de comprar e quando tinha, me podava. Então, eu quase nunca comprava algo que gostasse muito, fosse uma roupa, uma comida especial ou algo para minha casa.

Com o tempo tudo foi mudando. Eu fui me permitindo comprar e então percebi que havia o medo de ficar com menos, da falta que poderia fazer. Porém, conforme me permitia adquirir algo, sentia orgulho por isso, por ter me permitido e finalmente ter em casa algo diferente.

Com o mesmo poder aquisitivo, minha casa simplesmente mudou. Os móveis mudaram aos poucos, os eletrodomésticos, a decoração e até mesmo o conteúdo na geladeira. A quantidade mudou. Hoje há abundância, exatamente como deve ser. Não falta e nem sobra, mas sempre existe a sensação do bastante.

Recentemente tive um prejuízo inesperado, ao mesmo tempo em que uma grande oportunidade de realizar um sonho aconteceu. Por anos eu esperava uma chance como aquela. E o pequeno acidente de percurso quase me fez desistir do antigo sonho, pelo medo de ficar sem dinheiro. E então ficou claro para mim, o quanto a minha fé ainda não era o suficiente. Em toda a minha vida, nada me faltou. E não seria agora que iria faltar. Eu entendi que aquele prejuízo veio como uma lição. Eu precisava do aprendizado na prática, para finalmente perder o medo da escassez. De alguma forma eu segui em frente, por acreditar que tudo daria certo.

Dando conta do prejuízo, também daria conta de realizar o velho sonho, mesmo que ambos tivessem um preço alto naquele momento.

Melhor do que fazer tudo e seguir em frente, foi perceber que na vida, o dinheiro deve ter papel coadjuvante em nossa vida, e não prioritário, no sentido de se viver com medo de que o mesmo desapareça.

Aprendi a seguir em frente, e em seguida percebi que a energia financeira estava finalmente fluindo em meu dia-a-dia.

Quando muito se segura algo, seja o que for, se bloqueia a energia da mesma. E vice-versa. Quando permitimos que algo flua, esta mesma coisa vai e vem. E por mais simples que pareça, no meu caso, foi um processo que levou anos. E creio que por ser algo que, apesar de parecer simples, foi tão demorado e difícil de compreender em sua simplicidade, resolvi compartilhar, para que todos tenham uma oportunidade de rever seus próprios medos e atitudes sobre o que tem e o que permite entrar e sair em sua vida.

Tudo é energia, pensamento e atitude. Vale refletir e ao mesmo tempo sentir sobre isso, mudar alguns hábitos lentamente.

E depois, se percebe os bons resultados.

Tudo muda!

De dentro e para fora!

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