Home Todos Comportamento O seu ego tem fome de que?

Sendo o ego a parte da psique, responsável pela defesa de nossa própria personalidade, muito se deve prestar atenção, sobre de que forma o estamos alimentando.

Vivemos uma era de distorções de conceitos e valores de toda ordem, quando muitos acreditam que uma autoestima elevada é se achar o máximo, se sentir lindo, vestir as melhores roupas, ter o melhor carro e principalmente estar numa posição com mais status do que os demais. Isso não é autoestima. Isso é ego.

Autoestima de verdade é quando alguém está tão bem com si mesmo, que não há necessidade de mostrar isso para ninguém. A autoestima produz contentamento, saciedade emocional e bem querer em relação aos demais. Quem está bem consigo mesmo deseja o mesmo para o próximo. Costuma ser o tipo de pessoa discreta, sem necessidade de se aparecer, impor suas opiniões ou ainda se sobrepor em relação ao meio em que vive.

Há de se compreender como o ego nos confunde e nos direciona. E por vezes, nos trapaceia no sentido em que mais deveríamos seguir: o da evolução.

Aqueles que se confundem com o próprio ego costumam acreditar que são bons em tudo e beiram a perfeição. Se sentem tão superiores aos demais e repletos do melhor conhecimento, que se fecham a novos aprendizados e pontos de vista.

Quem é direcionado pelo ego, o alimenta constantemente sem saber. Veja. Aquele que se sente superior, devido ao seu status social, tem a constante preocupação de manter e elevar esta posição a todo instante. É preciso muito para se alimentar a crença de superioridade e se ter a certeza, de que se é melhor que os demais. Tudo começa a girar em torno de se sentir assim. A necessidade de uma falsa superioridade fará com que o indivíduo necessite de recursos que “comprovem” esta superioridade constantemente, como: posição profissional, financeira, aquisição de bens de consumo, produtos de luxo, estar próximo a outras pessoas de alta posição, e sempre olhando para os “de fora” com sentimento de superioridade. Tudo isso se torna um círculo vicioso e absolutamente cego.

Da mesma maneira, uma pessoa pode ter o ego direcionado para a sua inteligência. Aquele que se considera intelectualmente superior, acaba alimentando seu ego, com a necessidade de inferiorizar os demais, os que considera menos inteligentes, mesmo que não sejam. Este se torna arrogante e soberbo.

Os que acreditam ser de beleza acima da média, se tornam escravos da aparência, das roupas, marcas, tratamentos, cirurgias e o que houver neste sentido.

Ainda ocorre que muitos são direcionados pelo ego em relação ao poder. Seja de uma posição que exerça autoridade, como alguém que domina pela sua sexualidade. Tanto um quanto outro se utiliza de uma posição para conseguir o que se quer, mesmo que não haja ética e coerência.

O que acontece com aqueles que são dirigidos pelo ego? Caem naturalmente nas armadilhas do mesmo. Se tornam presas fáceis de manipuladores, também dotados de um ego descontrolado. O que precisa de status se rende a qualquer elogio sobre seus pertences e posição social, bem como o que se considera belo, se rende àqueles que se iludem com uma aparência externa e se mostram fascinados com tão pouco. Bem como os que precisam de poder, se tornam escravos dos que se propõem a seguir suas ordens, de maneira falsa ou não.

O ego pode ser o nosso maior inimigo, porque nos torna cegos de quem realmente somos e de como alimentamos nossos desejos.

Tudo que se relaciona ao ego leva o indivíduo a desejar ser melhor do que os outros, de alguma maneira, enquanto que a consciência leva ao desejo de ser o melhor de si mesmo.

O que ocorre com aquele que precisa de dinheiro para se sentir superior, quando perde tudo o que tem? Ou aqueles que se sentem mais capazes do que os demais, se perdem sua capacidade de raciocínio ou memória? O que passa na vida de alguém que considera a beleza a fonte de tudo, se sofre um acidente e se vê deformado de alguma maneira? E aquele, dirigido pelo poder ou sexualidade, como sobrevive numa posição inferior ou sem a possibilidade de usar a autoridade ou o próprio corpo para conseguir o que almeja?

Quando o foco é único e baseado em valores do ego, a perda de seu alimento pode significar a destruição absoluta, a sensação de perda de tudo o que se possui. Depressão e fim.

Em verdade, o falso fim pode vir a ser o início da verdadeira consciência.

Aquele que perde o alimento do ego, e o mata de fome, é o que desperta para a consciência de si mesmo e da vida sem valores superficiais.

Perceber do que o próprio ego se alimenta é o primeiro passo para nutrir a consciência de verdadeiros valores e mudar totalmente quem se é.

A partir daí, sim, é que se torna alguém sublimemente melhor.

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