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Casamento: a desconstrução!
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Fã incondicional do Cebolinha, tentei traduzir o desabafo típico do “calequinha” no Google: bajulação, adulação. Mas na prática, mais parece um desabafo de raiva.
Adepta a leitura dos quadrinhos brasileiro mais famoso do país, acompanho até hoje a evolução das personagens: Mônica, Magali, Cascão e tantos outros, além dos novos, como a cínica e irônica Denise. É muito engraçado perceber o quanto os enredos mudaram. Se antes o comportamento das personagens era infantil, hoje é algo tão adulto, que me surpreende saber, que o maior público dos gibis continua sendo as crianças. Só posso concluir que elas são mil vezes mais espertas do que eu e a minha geração.
Cebolinha foge para casa do Cascão e pede “asilo político” para se esconder da Mônica. Todos estão na rede: na social, o Cascão tem muito mais curtidas que o Cebolinha; no youtube, supostamente há um vídeo do careca apanhando da Mônica, após mais um plano fracassado, vestido de minhoca míope gigante. Cascão joga Tetris ao contrário, fazendo a tela cheia de cubos o mais rápido possível. Ainda há a personagem maldosa e metida, que morou na França e fala português com sotaque, a Penha, responsável pela depressão de várias meninas. Inúmeras são as personagens. E inacreditável criatividade.
Recentemente li uma narração onde o Floquinho comia ração misturada à uma fórmula do Franjinha e o cão se transformava no Super Floquinho. Cebolinha então come a ração desesperadamente e se transforma no Super Cebolinha. Quando o Cascão percebe que o amigo virou herói, não questiona sobre o ocorrido, mas sobre o fato do mesmo estar usando um maiô e estar com as pernas de fora. A dose de humor é uma mistura de cinismo, ironia e fatos surreais.
O humor mudou, os tempos mudaram e as crianças evoluíram. Já não vale mais uma historinha de crianças pulando amarelinha e um menino bolando um plano infalível sem motivo. Cebolinha é fissurado, doente para ser o dono da rua. Passa mal se vir o Sansão e não puder dar nós em suas orelhas. É um megalomaníaco: Cebolinha tem mania de grandeza, quer ser forte, é o presidente do clubinho dos meninos e se recusa a aceitar a soberania da Mônica. Sua fixação e seus planos infalíveis mirabolantes são divertidos pelos absurdos criados por ele, tudo em nome do poder.
Eu ainda aprendo com minhas leituras repetitivas e quase que diárias, sobre criatividade e humor inteligente. Muito melhor do que um conto de fadas com final feliz, que na vida real não existe, é o final previsível do Cebolinha apanhando da Mônica. Todo mundo sabe que seus planos não funcionam e nunca vão funcionar. A persistência dele é que é divertida, suas ideias absurdas e sua frustração por ver mais um de seus planos ir por água abaixo. É cômico.
Esse tipo de história exibe tanta criatividade, que é capaz de formar nossas crianças em pequenos roteiristas; criadores de histórias e de personagens. É um estímulo à criatividade. Hoje o melhor do Cebolinha não é o fato dele falar “elado”, mas a quantidade de características marcantes que ele carrega. Um menino de sete anos, altamente determinado, líder, criativo, brilhante e ambicioso.
Afinal não vivemos mais uma época, em que as meninas esperam seu príncipe encantado, montado num cavalo branco. Mas sim uma era, em que meninas e meninos criam suas páginas pessoais na rede e se encontram de acordo com suas próprias afinidades.
O mundo mudou. Contos de fadas não tem graça, pois não retratam a realidade. Princesas, bruxas e fadas madrinhas não existem. Pessoas com defeitos como a Mônica, sim. E outras sofrendo bullying por um Cebolinha também.
E para os adultos, que como eu, só buscam um humor realmente inteligente, mais vale um “Pindalolas” do que um “e foram felizes para sempre”.




