
As cruzes na curva da estrada
29 de outubro de 2015
Exemplo: ser feliz!
29 de outubro de 2015
Quanto valem os pequenos gestos? Conversando com uma amiga, ela me contou sobre um pequeno gesto que fez à uma conhecida. Ela veio a perceber depois, o quão forte foi o seu significado. De vida bem mais simples que minha amiga, a conhecida se sentiu no céu, elevada, com a pequena gentileza recebida.
Esta conversa me fez lembrar de uma nova amiga, que também me mostrou, através de um pequeno gesto, o valor que ela tem. De sensibilidade apurada, ela me acompanhou para me despedir de alguém. Mas ela mesma, não disse nem ao menos “tchau” para a pessoa em questão. E eu perguntei: “Você não vai se despedir?”. Ela nem sorriu, apenas fez sinal de negação com a cabeça. A verdade é que ela sabia o quanto significava para mim aquela despedida e fez questão de me acompanhar. Num pequeno trajeto, que embora fosse curto, para mim, aquele momento foi difícil.
Já sinto desde já, com muito pesar, o futuro e eminente afastamento desta nova amiga. Apesar do pouco tempo que passamos juntas, encontramos na companhia uma da outra a afinidade que se busca no dia-a-dia para uma gostosa convivência. Ela está grávida e em breve terá o seu bebê no aconchego de seu lar, se afastando da atividade que nos une. Fico feliz por ela, mas também já sinto a saudade da sua sensibilidade.
Ela me tocou com pequenos gestos, de poucas ou nenhuma palavra. Também me presenteou com palavras certas em horas tão necessárias. Mas ela não foi a única pessoa a me surpreender com pequenas atitudes. Também recebi muitas delas em meu trabalho num período difícil. Nunca me esqueci de alguns sorrisos especiais que recebi. A fase passou, mas a gratidão permanece.
Já tinha percebido que muitas vezes um sorriso pode mudar o dia de uma pessoa, tanto quanto pode mudar o meu. Uma hora pode ser um sorriso, outras vezes, uma frase, um tocar de ombro ou até mesmo o silêncio expressivo de um olhar. Às vezes os pequenos gestos transformam o instante de sofrimento num instante de esperança. Pode ser que os pequenos gestos nos mostrem as pessoas mais amáveis, aquelas que desejamos ter ao nosso lado. E são pelos pequenos gestos que aprendemos a ser gratos. Gratos pela simplicidade que a vida pode e deveria ser.
Para o amor, amizade, carinho e gratidão não são necessários grandes acontecimentos e provas. O valor de tudo isso são expostos na maioria das vezes pela sensibilidade de um ser, que conseguiu se enxergar em nós.
Vida e amor são o que nos competem a alma, o espírito. Vida em abundância é o que deveria acontecer todos os dias. E o segredo desta abundância não está na grandeza de grandes sonhos e realizações, mas na pequenez dos tantos gestos que nos cercam no dia-a-dia, do viver uma vida sob um olhar mais atento e amoroso.
O olhar de se cumprir o pouco que uma situação nos pede e na gratidão do muito que ela se transforma. Pode ser que eu nunca me esqueça do gesto da minha amiga, como a conhecida de minha outra amiga também nunca se esquecerá de sua gentileza. E melhor do que isso, é saber que desses gestos recebidos, outros virão, para outros seres, que terão a oportunidade de passar a gentileza adiante.
Pois no fim, não se trata apenas de pequenos gestos, mas de enormes gentilezas que tocam a alma. Para uma amizade e gratidão, que espera-se, se tornem eternos e que se perpetuem através de outros.




