
O susto
28 de outubro de 2015
Espírito Livre
28 de outubro de 2015
Apesar do bom humor que quase sempre carrego comigo, vivo sim os dias de desânimo, quando me lamento a colheita que não chega e as realizações que não acontecem. Então eu me pergunto: “Afinal, o que estou fazendo de errado? O que tenho que fazer diferente?”.
Acreditando que a persistência é o melhor caminho, não deixo de pensar em novas maneiras de alcançar meus sonhos e realizações. Mas e as pequenas satisfações do dia-a-dia? O que fazer quando essas também estão em falta? Onde estão os dias alegres? Aqueles momentos únicos, simples e inesquecíveis que a vida traz? É …, às vezes parece que o Universo não responde…
Então eu me pergunto se deveria parar de acreditar, de esperar e de lutar. E até aquela ajuda tão promissora de pessoas especiais parece faltar. Sempre tento acreditar que as mesmas também vivem o seu momento ruim e por isso não respondem. Cada um no seu direito de se sentir mal de vez em quando.
Não sei se o desânimo é bom, mas quero acreditar que sim. Ele não é trágico como um problema de saúde ou como aquelas situações que nos deixam no fundo do poço, nos empurrando para outra direção, forçando uma mudança drástica e necessária na vida.
Talvez o estar desanimado, seja simplesmente o universo dizendo para nos silenciarmos. Já que muitas vezes deixamos de ouvir o nosso inconsciente, percebendo apenas a eufórica consciência, com seus milhões de pensamentos num só dia, que não cessam e nos atordoam com sua velocidade ininterrupta.
Hoje eu só queria meu sofá… estar lá deitada embaixo de um cobertor e esquecer tudo aquilo que ainda não veio. Também esquecer o carinho que não teria em meu cabelo ou em meus pés enquanto descanso. Não lembrar mais de tudo o que ainda não foi e nem mais me perguntar quando será.
Esquecimento da ansiedade que rege o meu dia-a-dia de mundo moderno, para finalmente ouvir os pequenos lamentos de minha alma em repouso. Dar ouvidos às suas poucas ou muitas reclamações. Aceitar o desânimo como tem que ser.
Gosto de acreditar que o desânimo também é um combustível. Ele vem para tirar o excesso de energia, os pensamentos que não cessam e ainda alterar a postura que não deve ser.
Vida é uma busca constante de equilíbrio. E o não se sentir bem também faz parte. Num mundo em que nos sentimos obrigados a ser positivos e estar de bem com a vida em todos os momentos, aceito sim o desânimo e o sofá lá de casa. Porque vida também é assim. E é de momentos baixos que as melhores ideias podem surgir: depois de um bom e curtido desânimo. Vou curtir o meu. E quando ele se for, provavelmente dará espaço a algo melhor. Seja o que for. Faz parte.




