
Já não se fazem mais princesas como antigamente…
15 de janeiro de 2020
Parasita, o tapa na cara sul coreano!
10 de fevereiro de 2020
“Idade, só há duas – ou se está vivo ou morto”
(Mario Quintana)
Já reparou como estamos vivendo uma era da banalização de quase tudo?
Tudo virou superficial, inventam-se novos conceitos e termos a cada dia, bem como profissões a cada cursinho online ou de fim de semana. Coach disso e daquilo, Designer até do que não precisa de design, Digital Influencer que ainda nem tirou as fraldas e nem maturidade tem para influenciar coisa alguma. Terapias diversas e estereotipadas de coisas que nunca se viu. Derivados e mais derivados de tudo que já foi inventado – como se não houvesse mais substantivos comuns, aqueles básicos que estruturam o pensar, o agir e o ser.
Está duvidando? Repense: Terapia quântica não sei das quantas, Terapia Alternativa da alma, Terapia Holística energética, Massagem espiritual, Tarot evangélico, Coach quântico, Terapeuta sexual, Guia espiritual executivo, Mago energético, DNA da alma, Reprogramação do DNA, Emagrecimento quântico, água bioquântica e tanto mais. Une-se uma palavra conhecida com uma da moda – sem ter a menor noção do que seja , principalmente por ser um conceito científico e complexo – e já temos um novo conceito, seja de profissão, marketing ou negócio! Junte a palavra “quântico” a qualquer coisa e pronto!
Abusos de Neologismos à parte, que bom, que estamos num país onde quase ninguém vai se dar conta de algumas esquisitices, porque já nos habituamos a elas sem questionamentos mais profundos.
Acostumados a não vermos soluções a respeito das dificuldades no país, já que os problemas estão enraizados e pisoteados pelos pés dos que deveriam ser seus responsáveis e solucionadores, parece que nada mais nos cabe a não ser nos indignar através de alguns posts e ponto final. Protesto virtual intensivo, ofensivo e temporário como um Story no Face ou no Instagram. E tudo prossegue, não igual, mas pior porque o que não é resolvido, prolifera e complica-se.
A política está mais banalizada do que nunca. Esquerda e direita em pé de guerra, como se fosse obrigatório assumir uma posição contrária as supostas duas únicas opções existentes. Enquanto a corrupção segue firme e forte. A melhor e mais forte organização do país.
Prostituta de classe média agora virou Suggar Baby. Nome bonitinho para a profissão que continua sendo a mesma. Tem até quem dê entrevista achando a posição de classe. Sites também não faltam.
Há quem diga que, se o Universo mandar alguém em sua vida é para você se abrir e ficar com aquela pessoa, sempre que acontecer. Uma forma simplista e tola de romantizar carência e amores patológicos.
E a frase “Dinheiro não traz felicidade!”? Há quanto tempo estamos engolindo a desconsideração da pobreza e a banalização das tragédias coletivas ?
Tudo se torna rápido e absurdamente superficial, num mundo que mal se dá conta da gravidade dos distúrbios climáticos afetando a vida e a sustentabilidade das pessoas e dos recursos.
O volume de informação é tamanho que a comunicação se torna fragmentada, adulterada, não acontecendo de fato; nem dá tempo de verificar se é Fake News ou se é de verdade.
Ah, surgiu algo novo? Vou lá testar! E depois se descobre se era ladainha ou realmente algo sério e inovador, algo velho com um novo nome, ou ainda uma malandragem disfarçada por um marketing de fórmulas!
Um novo conhecimento, termo ou conceito: não se lê a matéria. Mal se vê a manchete e se tem uma opinião mega hiper superficial formada a respeito e se empina o nariz por aí, cheio de pompa, destilando arrogância.
Sentimentos? Eu amo isso, eu amo aquilo, te amo amiga e tanto te amo, que já não se ama mais ninguém. E será que sabe o que é amar?
Amizades? BFF (best friend forever) se tem aos montes.
Estamos vivendo a era da instantaneidade, informações voláteis, pessoas descartáveis, empregos temporários, opiniões como verdadeiras metamorfoses ambulantes, conceitos provisórios para tudo e para todos. Todos acham que devem, além de ter opiniões, também emitir as mesmas em todas as direções.
Não é necessário não! Isso nada tem a ver com intelecto! O mundo está cheio de opiniões e informações que passam batidas para a maioria.
É claro que estamos em evolução e muitas coisas estão melhorando. Mas em meio a isso tudo, conviver com o elevado nível de inconsciência e desespero da unanimidade não tem sido fácil. O mundo precisa de gente que leia! Estude, aprenda e se aprofunde – e depois ensine e compartilhe ao invés de se gabar com um “conhecimentozinho” à toa.
Não sabemos nada, não somos nada. Somos tão pequenos e inconstantes quanto o grão de areia, lembra? É isso!
Vivemos uma era que se liquefaz e se desmancha e se desconstrói , tempos líquidos, valores líquidos onde tudo tem se tornado disforme, viscoso e escorregadio. Nossos valores estão invertidos e poucos se dão conta. E menos ainda dão conta de reverter esse caos, mesmo que seja sua opção pessoal.
Num mundo onde tudo virou tóxico, passageiro, estereotipado, cheio de nomes e conceitos, banalizado de cima a baixo, até o cachorro quente da esquina e o carrinho de pipoca não escaparam. Cachorro-quente é Dogão ou Super Hot Dog com purê, beringela e batata palha! Pipoca gourmet! Mil sabores de brigadeiro! Tudo junto e misturado!
Até o trivial foi banalizado, para tentar algo chique e inovador, quando o excesso rouba do simples o melhor que havia antes: o básico e original! E eu que não sou Digital influencer, Youtuber, Suggar Baby ou qualquer coisa quântica tenho que explicar que além de escritora, também sou Ghost Writer!
Salve-se quem puder! Ou Help! A rapidez e o excesso nos tornam idiotas banais.
Desacelere! Aprenda a ser silêncio num mundo onde tudo, além de líquido, virou excesso, barulho e ninguém sabe mais como gritar para ser ouvido.
Observe! E salve-se na simplicidade de olhar o mundo a fundo, por mais que poucos segundos, antes de partir para uma próxima opinião ou conceito.
Respire! O quântico, que só se aplica ao microcosmo, não salvará seus instantes e dias de bem viver!




