
O aniversário de minha mãe
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Corona Vírus – da inusitada reviravolta!
1 de abril de 2020
Eu nunca pensei em ser médica, ela sempre quis.
Passou anos a mais do que eu estudando, para se tornar ginecologista.
Eu fui mãe primeiro, de um só. Ela veio a ser bem depois, mãe de dois.
Agora, quase trinta anos depois, em meio a este caos, me dou conta, de que toda vez que preciso de uma orientação médica, tenho a sorte de tê-la em minha vida. Com um olhar médico, ela sempre me faz perceber as coisas, por outro ponto de vista.
Recentemente, precisei de uma receita e não estava bem para sair de casa. Ela mudou sua rotina naquele dia e veio almoçar comigo, sem sequer eu ter pedido.
Ela não é só a minha amiga ou apenas médica, ela é minha amiga médica, da qual tenho um orgulho imenso.
Se ouvimos de nossos pais, na época da adolescência frases e supostas motivações do tipo “Vai estudar para ser médico”, “Tem que ser doutor”, a geração de hoje não tem noção do que é pressão para ser alguém na vida. Naquela época, ser alguém, era ser médico e ponto final.
Nossa geração já aprendeu a ser menos impositiva e considerar as próprias vontades e talentos de nossos filhos. E eu, nem sei explicar os porquês de continuar sentindo fascínio pelos que se tornaram doutores. Apesar de nunca ter desejado este caminho, sempre achei lindo o esforço e via estreita para quem seguiu nesta profissão.
Não foi fácil para minha amiga. Anos de cursinho e tantos vestibulares. Seus pais também sentiram na pele o esforço. Certa vez, ela pensou em desistir, pensando em ser aeromoça, mas ela nem se lembra disto. E felizmente foi apenas um momento.
Hoje, em meio ao caos do Corona Vírus, trocamos algumas mensagens via WhatsApp. Pedi conselhos antes de iniciar uma mudança de apartamento. Enquanto ela continua seus atendimentos médicos, seu marido faz Home Office juntos aos dois filhos pequenos.
Ninguém entra e ninguém sai, exceto ela. E nesses momentos, limpa tudo o que pode, com medo de contaminar os seus. Hoje ela estava aflita, pois irá receber o pai em tratamento de quimioterapia na cidade de São Paulo. Desinfectou uma área da casa só para ele, para que possa ficar isolado num quarto. Tudo para evitar a infecção do mais suscetível de todos.
Senti orgulho dela mais do que nunca. E também compaixão.
É lindo ver a transformação de alguém que conheci lá atrás, na adolescência, nos tempos em que nossos pais tentavam nos forçar a ser médicos e médicas e ela tendo o feito por conta própria, agora prioriza o pai.
Ela é médica sim, de todas as formas que acredito que pode ser. Em tempos de pandemia e caos, hospitais cheios e nenhuma boa perspectiva, em nenhum momento mencionou qualquer preocupação sobre si mesma. Nem uma única palavra.
E ainda me deu conselhos!
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Que Deus proteja a minha amiga e todos os médicos que estão aí!
A falta de estrutura é clara. Um país que nunca atendeu totalmente a própria demanda, não atenderá uma pandemia.
E menos ainda, a ignorância da sociedade em não priorizar os demais, ainda que sejam os seus.





2 Comments
Carol, Carol querida, sempre sensível e amável ao olhar o outro. E sabendo extrair de cada um o seu lado mais amoroso. Parabéns pela crônica.
ah Beth querida, está faltando um artigo sobre vc, kkkkk, mas vc está em muitos, pois há as grandes lições que aprendi com vc e nunca vou esquecer! Obrigada sempre! Bjs