
Eu sinto muito, Manaus!
16 de janeiro de 2021
Não me invalide!
24 de fevereiro de 2021“Aquilo que existe em mim e faz parte de mim, pode ser transformado.
Aquilo que é do outro, e faz parte do outro, só pode ser transformado pelo outro.
E será compreendido e aceito por mim dentro dos meus limites…”
(RÉDEAS DO DESTINO – Kau Mascarenhas)
Não gosto do termo para algo que nos torna tão rasos como seres humanos.
Um novo nome para uma velha atitude. Talvez agora, no atual contexto midiático, esta atitude seja mais grave porque é arbitrária, anônima e massificadora – é o predomínio da irresponsabilidade coletiva sobre a condição pessoal de um indivíduo. Vi, recentemente, entrevista do professor e filósofo Clóvis de Barros Filho onde ele declarava que não se deve afirmar que uma pessoa é canalha, mas sim que teve ações e comportamentos canalhas, pelos quais ele deve ser responsabilizado. Não se “cancela” uma pessoa e sim se denuncia suas atitudes arbitrárias, equivocadas, corruptas, ou seja, lá o que for.
Levei anos para aceitar que podia ser “cancelada” na vida das pessoas, já que era avessa ao tal do excluir, se afastar ou desapegar, me parecia uma falta de respeito com o próximo. Até que vários cancelamentos ao mesmo tempo ocorreram na minha vida, estando eu na posição de cancelada.
Percebi a duras penas que eu dava corda para as pessoas que me faziam isso, ficava atrás, sempre pensando “Essa pessoa vai perceber que o que está fazendo é errado, vai cair a ficha”, mas não. Apenas fui mais dura e friamente deixada de lado e até mesmo humilhada.
Depois de um ano absolutamente peculiar no sentido de perdas e mudanças, entrei num processo de muita reflexão sobre o tal do cancelamento, ainda que lá atras este nome não fosse o utilizado.
Conclui que também exclui pessoas da minha vida, poucas, mas senti orgulho de não ter feito isso sem dar explicação antes.
Creio que todos nós temos o direito de nos afastar de vez em quando ou até mesmo para sempre, mas é digno se posicionar, permitir ao outro que ele saiba os motivos, com isso, tendo uma chance de compreender o rompimento, afastamento ou cancelamento.
É dolorido ser cancelado, como está se vendo num programa de televisão atualmente, mas o que se vê ali também se percebe com muita regularidade no mundo corporativo, não é novidade: panelinhas, fofocas, falsidade, puxadas de tapetes sem fim, pessoas fingindo amizade apenas para usar de suas ideias e força de vontade etc. O mundo cão de quem já passou por ele e com sorte conseguiu fugir.
Porém, pior do que ser cancelado por um bando de desconhecidos na TV ou na vida profissional é ser cancelado por um amigo que a gente gosta, confia, ama e admira. E o que dizer de familiares? Ninguém está livre de ser excluído por pessoas que nunca imaginou, mas acontece, já que vivemos numa sociedade de rara empatia.
Assim como no programa de TV se vê uma profissional de psicologia sem empatia alguma, o mesmo ocorre do lado de fora. Milhões de pessoas postam frases bonitinhas diariamente, mas na prática, na primeira fechada de trânsito soltam os demônios dentro delas.
Eu já fui canceladora e por vezes continuo sendo, quando vejo que uma pessoa ou determinada situação não faz bem para mim, mas respeito a dignidade de quem quer que seja para uma última conversa, uma explicação de forma leve, oferecendo a oportunidade de entendimento, antes do afastamento.
Quer cancelar alguém? Pense bem antes disso! O mundo dá voltas, a vida muda e nunca se sabe, se você vai precisar ou querer a companhia desta pessoa mais tarde.
Faça o que acredita que deve ser feito, porém, de forma digna, humana, com amorosidade. Todos erramos, podemos dar um tempo e depois voltar, sem a mágoa de ter ignorado uma pessoa com julgamento e condenação.
Quer se afastar? Se afasta, mas explica os motivos. Deixa a porta aberta para um depois, que pode ser até a mudança de você mesmo e não do outro.
Todos passamos por diferentes fases e dificuldades e conforme amadurecemos, os erros dos outros se tornam cada vez menos importantes, porque o melhor caminho é sempre para quem olha dentro de si e se molda todos os dias e não tem a preocupação de querer moldar os demais.
Vai cancelar?
Tem certeza?
Sim?
Faça com amor. Até mesmo um término pode ser feito com respeito!
É o que provavelmente você gostaria que fizessem com você.
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2 Comments
Carol querida ,,, sei do que falas …e infelizmente demasiado bem… acho que quando se tem consideração por alguém mesmo que o percurso em conjunto tenha de ser interrompido devemos respeito a essa pessoa e sobretudo a nós próprios porque não devemos fazer aos outros o que não gostamos que nos façam a nós O meu abraço solidário e de uma amizade recente que parece de milénios atrás…
Fernanda, vc é maravilhosa, sorte a minha ter encontrado vc, neste caminho lindo, gratidão!